quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A duquesa

Ontem assisti o filme A Duquesa, com Keira Knightley, Ralph Fiennes e alguns muitos anônimos. A vida da duquesa tem aspectos similares à vida de Maria Antonieta. Já a estética do filme não tem nada a ver.
A Duquesa é mais clássico, mais épico, mais tradicional. Não traz nenhuma ruptura de linguagem, nem nada que já não tenha sido visto. Não é um filme inovador em nenhum aspecto.
O enredo trata da biografia da duquesa de Devonshire, que foi considerada bastante moderna para época. É exatamente nisto que o filme peca. Essa inovação pregada não passa de alguns ataques histéricos e algumas falas dramáticas. Ao contrário de Sophia Coppola, que em Maria Antonieta, fez questão de não limitar a atitude inovadora da rainha aos diálogos, mas transpôs isso para trilha sonora, estrutura, figurino, etc.
A Duquesa não chega a ser um filme ruim ou desagradável. Apenas falta um pouco de personalidade. Além disto, não podemos ver nenhuma importância dela; o filme não mostra atos históricos, ou grandiosos, ou que nos faça refletir. Resumindo, é um filme que começa no nada e termina em lugar nenhum.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Quando foi?

Há muito não passo por aqui com uma postagem nova, ou algo interessante pra contar, é essa monotonia cotidiana que me a leva a questionar: Quando foi que nos tornamos tão ordinários?
Quando foi exatamente que deixamos de lado o entusiasmo típico da juventude pra nos rendermos ao trabalho, às responsabilidades, às contas, ao dormir cedo, ao não beber em dia de semana, e tantas outras coisas que tornam nossas vidas cada vez menos coloridas? Não que seja necessário beber diariamente, faltar trabalho e dormir às 3 horas da manhã, mas o que me persegue é a falta de opções quando essas coisas deixam der ser plausíveis.
Não ter novidades virou rotina, prever os acontecimentos do dia se tornou "mamão com açúcar", fazer as mesmas coisas, encontrar as mesmas pessoas, bater aquele papinho, naquele mesmo lugar, naquele mesmo horário...
Quando foi que de repente isso passou a nos bastar? O que me intriga é que essa não é uma vida da qual desgosto, ou da qual pretendo me livrar, muito pelo contrário. Gosto das responsabilidades, de ter coisas a fazer naqueles determinados horários, de saber o que farei quando chegar em casa... O que me intriga é perceber que de repente as coisas perdem a necessidade de serem grandiosas pra nos agradar, e ao mesmo tempo me pergunto se essa é uma tendência contínua. Estamos condenados a nos contentar, cada vez mais, com menos?
Será que é disso que nossos pais são feitos? Será que ter mais namorado(a), sair pra jantar regularmente, curtir uma noitada com os amigos se tornará, para nós, extravagâncias?
Prefiro acreditar que não, que o tempo apenas tornará meus programas mais interessantes, e minha rotina mais cheia de complexidade, mas no fundo há sempre aquela coisinha meio chata chamada razão que deixa o gostinho de ilusão na boca e nos faz, de vez em quando, pensar que o futuro não passa apenas de trabalho, contas, filhos e dever de casa.
Não sei se sou apenas eu, mas a estabilidade dos meus dias me faz pensar que talvez minha juventude tenha feito as malas e me deixado na companhia da idade adulta. Não sei se isso é bom ou ruim, se é assim que as coisas são, ou se essas idéias são apenas coisas estúpidas que eventualmente pensamos. Ou se talvez a rotina tape nossos olhos e não deixe que percebamos essas pequenas mudanças que nos tornam cada vez mais parecidos. Acredito que não terei essas respostas, mas não me atormento por não tê-las, mas alguém pode me responder só: quando foi mesmo que isso aconteceu? [Tava distraída e não vi...]

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A Culpa é Deles

Enquanto não derem um posicionamento, não vou mais liberar nenhum orçamento. Não adianta. E mesmo que peçam uma exceção, mesmo que digam que é a última vez. Dessa vez, não caio mais nessa.
PF acordou no aconchego do lar faltando três minutos para quinze pras cinco. Nem cedo, nem tarde, pensou, enquanto virou na cama, duas vezes pro lado direito e três vezes para o lado esquerdo, procurando coragem para tomar banho. Não encontrou coragem em parte alguma, o que o levou a desistir de procurar e levantar da cama sem coragem nenhuma mesmo.
Grande coisa. Era o que ele fazia todos os dias.
Enquanto isso, no lustre do castelo, sua esposa Marilena, que parecia muitíssimo com aquela Lucelena do Unibanco, mimava seu pequeno filho, o pequeno Flávio Horácio. Pedia para o filho comer o prato todo, e prometia algumas centenas de chicletes, que não eram nada demais comparado com os milhões de chocolates também prometidos.
Lentamente, PF tentava passar sabonete fazendo o menor esforço possível, ou seja, sentado no chão do chuveiro. O tempo passava, Marilena empurrava comida goela abaixo, dando uma certa razão às bruxas que devoram crianças. Um pensamento continuo lhe vinha a cabeça: e se pegasse a faca que usava pacientemente e diariamente para cortar a carne do filho, que só sabia comer de colher, e fizesse um pequeno furo no filho? Só um corte de leve para testar a reação do seu querido filho, que esperneava sem querer comer? Tomou coragem e inseriu a ponta da faca no braço do seu filho de forma rápida e cirúrgica. A criança ficou um segundo quieta. Olhou pro braço, e ficou imóvel e silencioso, perplexo e surpreso. A verdade é que ficou chocado. O menino ficou CHO-CA-DO! E a mãe gostou da imobilidade silenciosa do filho ou gostou da sensação proporcionada pelo furo. Quem sabe até gostou de ambos, quando resolveu investir mais e mais facadas no amado filho, primeiramente em lugares desimportantes, como uma perna, uma orelha e indo finalmente ao que interessa: lá pela trigésima facada, acertou a cabeça do menino, que desfaleceu. O pai nada percebeu na hora, por três motivos:

1- O barulho do banho;
2- A gritaria do filho ser algo rotineiro;
3- Tinha acabado de dar 18hs e a rádio entoava os agudas da Ave Maria.

Bendita sois vois entre as mulheres.
Bendito é o fruto do vosso ventre.
Amém.