Depois de inúmeros meses recebendo poeira no limbo virtual dos blogs, não poderia haver um motivo mais nobre para a ressurreição do Aki Entre Nós do que a premiação recém-terminada do Oscar. A cerimônia foi recheada de agradáveis surpresas, e, principalmente, terminou com uma mensagem, não muito subliminar, para a indústria cinematográfica de Hollywood.
O premiadíssimo James Cameron ficou chupando dedo à espera de uma estatueta que selasse, de uma vez por todas, sua reputação de Academy Award Winner que começou a ser trilhada depois do estouro de Titanic. O que muitos aparentemente não perceberam, é que há alguns anos o Oscar tem moldado de forma diferente a noção sobre o que é um filme digno de sua estatueta mais cobiçada. Presenciamos indicações como a de "Crash", "Quem quer ser um milionário", "Brokeback Mountain" e "Onde os fracos não tem vez", mas ainda assim muitos continuaram apostando no re-make high tech de Pocahontas que era beleza e só.
Kathryn Bigelow, ex-mulher de Cameron, chegou com um filme forte que, mesmo não sendo enfeitado de azul e luzes neon, trazia uma história forte sobre uma realidade dura que há muito não vivemos, mas que se tornou parte da rotina norte americana: a guerra.
Guerra ao Terror, que acabou sendo o mais premiado da noite, mostra de uma forma mais suave, porém não menos séria, o que os maravilhosos "Apocalipse Now" e "Nascido para matar" fizeram há décadas: os efeitos da guerra sobre os que estão na linha de frente. Seria injusto com Bigelow comparar seu filme com os citados acima, mas também não seria justo fingir que não há uma semelhança no conteúdo da história que foi contada pelos três. O mais recente melhor filme da Academia tem uma história forte, com uma boa fotografia e uma direção magistral, que surpreende mais por se tratar de um filme de guerra dirigido sob olhos femininos.
Entre os indicados do Oscar foi percebida uma interseção no que diz respeito a uma abordagem voltada ao comportamento negligente e cruel da humanidade ao decorrer de sua existência. É possível afirmar que a animação Wall-e, premiada ano passado, é um dos responsáveis por essas mudanças. Guerra ao Terror, Distrito 9 e Avatar mostram de forma mais clara o que a humanidade é capaz de fazer pelos motivos mais torpes possíveis. E quase como uma complementação de idéias, entraram na disputa filmes como UP, Precious e Um Sonho Possível, que vêm tentar mostrar que ainda é possível encontrar um pouco de humanidade em meio aos olhos voltados aos próprios umbigos que todos nós adotamos.
Nessa última edição do Oscar houve também uma estatueta destinada ao hemisfério sul, com a premiação do argentino "Segredo dos seus olhos" na categoria de melhor filme estrangeiro, e a premiação de Sandra Bullock pelo papel em Um sonho possível. Bullock, depois de uma grande lista de comédias em seu currículo, conseguiu mostrar seu valor na pele de uma mulher rica que acolhe um garoto negro e desamparado, tornando-o parte de sua família, desafiando a opinião de amigas e familiares. Apesar de estar concorrrendo com atrizes como Helen Mirren e Meryl Streep (que dispensa apresentações), Sandra mereceu ser reconhecida pelo seu desempenho, bem como Reese Witherspoon, que provou saber atuar de verdade no papel de June Carter em 2006.
Mesmo contendo 24 categorias, a noite do Oscar, e seus vencedores, foi ,sem dúvida, ofuscada pelo sucesso de Guerra ao Terror, e Bigelow marcou a história da premiação não apenas por ter surpreendido inúmeros apostadores e "palpiteiros", como se tornou a primeira mulher a ganhar o prêmio na categoria de melhor direção. O sucesso e a entrada na históra da premiação foram, sem sombra de dúvidas, merecidíssimos e necessários para que se prove não apenas que Oscars não se compram com produções bilionárias, mas também que beleza não põe mesa.
O premiadíssimo James Cameron ficou chupando dedo à espera de uma estatueta que selasse, de uma vez por todas, sua reputação de Academy Award Winner que começou a ser trilhada depois do estouro de Titanic. O que muitos aparentemente não perceberam, é que há alguns anos o Oscar tem moldado de forma diferente a noção sobre o que é um filme digno de sua estatueta mais cobiçada. Presenciamos indicações como a de "Crash", "Quem quer ser um milionário", "Brokeback Mountain" e "Onde os fracos não tem vez", mas ainda assim muitos continuaram apostando no re-make high tech de Pocahontas que era beleza e só.
Kathryn Bigelow, ex-mulher de Cameron, chegou com um filme forte que, mesmo não sendo enfeitado de azul e luzes neon, trazia uma história forte sobre uma realidade dura que há muito não vivemos, mas que se tornou parte da rotina norte americana: a guerra.
Guerra ao Terror, que acabou sendo o mais premiado da noite, mostra de uma forma mais suave, porém não menos séria, o que os maravilhosos "Apocalipse Now" e "Nascido para matar" fizeram há décadas: os efeitos da guerra sobre os que estão na linha de frente. Seria injusto com Bigelow comparar seu filme com os citados acima, mas também não seria justo fingir que não há uma semelhança no conteúdo da história que foi contada pelos três. O mais recente melhor filme da Academia tem uma história forte, com uma boa fotografia e uma direção magistral, que surpreende mais por se tratar de um filme de guerra dirigido sob olhos femininos.
Entre os indicados do Oscar foi percebida uma interseção no que diz respeito a uma abordagem voltada ao comportamento negligente e cruel da humanidade ao decorrer de sua existência. É possível afirmar que a animação Wall-e, premiada ano passado, é um dos responsáveis por essas mudanças. Guerra ao Terror, Distrito 9 e Avatar mostram de forma mais clara o que a humanidade é capaz de fazer pelos motivos mais torpes possíveis. E quase como uma complementação de idéias, entraram na disputa filmes como UP, Precious e Um Sonho Possível, que vêm tentar mostrar que ainda é possível encontrar um pouco de humanidade em meio aos olhos voltados aos próprios umbigos que todos nós adotamos.
Nessa última edição do Oscar houve também uma estatueta destinada ao hemisfério sul, com a premiação do argentino "Segredo dos seus olhos" na categoria de melhor filme estrangeiro, e a premiação de Sandra Bullock pelo papel em Um sonho possível. Bullock, depois de uma grande lista de comédias em seu currículo, conseguiu mostrar seu valor na pele de uma mulher rica que acolhe um garoto negro e desamparado, tornando-o parte de sua família, desafiando a opinião de amigas e familiares. Apesar de estar concorrrendo com atrizes como Helen Mirren e Meryl Streep (que dispensa apresentações), Sandra mereceu ser reconhecida pelo seu desempenho, bem como Reese Witherspoon, que provou saber atuar de verdade no papel de June Carter em 2006.
Mesmo contendo 24 categorias, a noite do Oscar, e seus vencedores, foi ,sem dúvida, ofuscada pelo sucesso de Guerra ao Terror, e Bigelow marcou a história da premiação não apenas por ter surpreendido inúmeros apostadores e "palpiteiros", como se tornou a primeira mulher a ganhar o prêmio na categoria de melhor direção. O sucesso e a entrada na históra da premiação foram, sem sombra de dúvidas, merecidíssimos e necessários para que se prove não apenas que Oscars não se compram com produções bilionárias, mas também que beleza não põe mesa.