domingo, 10 de agosto de 2008

O educado.

Vem dormir...que hoje tudo é novo, e eu não quer ser mais um estorvo derrubando o peso do mundo em suas costas. Canta algo melancólico pra mim, enche meu coração de tristeza até eu poder chorar como nunca sufocado no travesseiro.
Veste o pijama e vem, tira o pijama, veste o pijama. Não precisa me beijar, não precisa dizer que me ama, nem mesmo me amar em silêncio, que o silêncio é a falta de coragem de dizer que já acabou. Tira o pijama, veste a cama. Não diz que me ama, mas diz. Diz, diz, diz...
Não me conta como foi seu dia, não me diz cada tarefa sua, e em cada uma delas, nem um pouco de mim. Meu dia: acordei, tomei café, fui trabalhar, almocei, fui trabalhar, jantei, fui trabalhar, deitei, vou trabalhar. Nem um pouco de você, e ainda assim tanto...
Acabou, mas você não me deixa chorar. Eu preciso ir embora, mas só vou quando ouvir cada palavra que você não diz. Só vou embora quando você mentir dizendo que me ama, e me pedir pra ficar querendo que eu vá embora, educado demais pra tudo isso. E se ainda te amar pelo menos um pouco, fico. Fico com suas mentiras e com sua vontade de me ver indo embora, com sua falsa felicidade de me ver mudar de idéia. E mais uma vez derrubo tudo em suas costas, mais uma vez tiramos o pijama em silêncio, vestimos em silêncio, tiramos em silêncio...E mais uma vez acordamos, eu vou trabalhar, e passo o dia todo pensando em você, sonhando na noite que chega trazendo sua educação e seu silêncio.

Beijos a todos, queridos amigos!

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