segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A Culpa é Deles

Enquanto não derem um posicionamento, não vou mais liberar nenhum orçamento. Não adianta. E mesmo que peçam uma exceção, mesmo que digam que é a última vez. Dessa vez, não caio mais nessa.
PF acordou no aconchego do lar faltando três minutos para quinze pras cinco. Nem cedo, nem tarde, pensou, enquanto virou na cama, duas vezes pro lado direito e três vezes para o lado esquerdo, procurando coragem para tomar banho. Não encontrou coragem em parte alguma, o que o levou a desistir de procurar e levantar da cama sem coragem nenhuma mesmo.
Grande coisa. Era o que ele fazia todos os dias.
Enquanto isso, no lustre do castelo, sua esposa Marilena, que parecia muitíssimo com aquela Lucelena do Unibanco, mimava seu pequeno filho, o pequeno Flávio Horácio. Pedia para o filho comer o prato todo, e prometia algumas centenas de chicletes, que não eram nada demais comparado com os milhões de chocolates também prometidos.
Lentamente, PF tentava passar sabonete fazendo o menor esforço possível, ou seja, sentado no chão do chuveiro. O tempo passava, Marilena empurrava comida goela abaixo, dando uma certa razão às bruxas que devoram crianças. Um pensamento continuo lhe vinha a cabeça: e se pegasse a faca que usava pacientemente e diariamente para cortar a carne do filho, que só sabia comer de colher, e fizesse um pequeno furo no filho? Só um corte de leve para testar a reação do seu querido filho, que esperneava sem querer comer? Tomou coragem e inseriu a ponta da faca no braço do seu filho de forma rápida e cirúrgica. A criança ficou um segundo quieta. Olhou pro braço, e ficou imóvel e silencioso, perplexo e surpreso. A verdade é que ficou chocado. O menino ficou CHO-CA-DO! E a mãe gostou da imobilidade silenciosa do filho ou gostou da sensação proporcionada pelo furo. Quem sabe até gostou de ambos, quando resolveu investir mais e mais facadas no amado filho, primeiramente em lugares desimportantes, como uma perna, uma orelha e indo finalmente ao que interessa: lá pela trigésima facada, acertou a cabeça do menino, que desfaleceu. O pai nada percebeu na hora, por três motivos:

1- O barulho do banho;
2- A gritaria do filho ser algo rotineiro;
3- Tinha acabado de dar 18hs e a rádio entoava os agudas da Ave Maria.

Bendita sois vois entre as mulheres.
Bendito é o fruto do vosso ventre.
Amém.

2 comentários:

Dea santana disse...

Gostei não...

Prefiro coisas mais legres e primaveris!!

Beijoooo

Cainã Monteiro disse...

Mais leve que o assassinato de uma criança chata no lustre do castelo??
Acho difícil...