Engraçado o que nós conseguimos. Criamos um modelo de contagem de tempo: o ano. Criamos um início e um fim pra eles: reveillon. E depois de termos nós mesmos criado tudo, conseguimos deixar que nossas criações influenciem tanto em nossas atitudes e decisões.
Digo isso porque, sempre no fim do ano, encerro alguns ciclos e inicio outros. Algumas vezes com mais clareza, outras vezes completamente perdido, mas assim vou tentando levar.
Confesso que 2009 traz pra mim a assimetria dos números ímpares. Nada está equilibrado.
Meus dias são de confusão e mistos de tristeza e alegria. As alegrias de novos ciclos, me trazem todas as tristezas de ciclos que precisam ser fechados. Ás vezes me dá impressão que qualquer decisão que eu tomar vai ser errada. Outras, o contrário. E na maioria das vezes, apenas um pouco de dúvida e culpa. As duas muitas vezes andam lado a lado.
Para não ser pessimista, recordo o andarilho de Nietzsche.
"Isso bem pode acontecer ao andarilho; mas depois virão, como recompensa, as venturosas manhãs de outras paragens e outros dias, quando já no alvorecer verá, na neblina dos montes, os bandos de musas passarem dançando ao seu lado, quando mais tarde, no equilíbrio de sua alma matutina, em quieto passeio entre as árvores, das copas e das folhagens lhe cairão somente coisas boas e claras, presentes daqueles espíritos livres que estão em casa na montanha, na floresta, na solidão, e que, como ele, tem sua maneira ora feliz ora meditativa, são andarilhos e filósofos. Nascidos dos mistérios da alvorada, eles ponderam como é possível que o dia, entre o décimo e o décimo segundo toque do sino, tenha um semblante assim puro, assim tão luminoso, tão sereno-transfigurado: - eles buscam a filosofia da manhã. ."
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
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