quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Mais ou menos o mesmo

Ainda lembro a primeira vez que senti um beijo apaixonado. Parecia que a vida, finalmente!, abria para mim milhões de possibilidades. E todas elas trouxeram outras bocas, e outros beijos apaixonados, que com o tempo passando através dos anos, viraram apenas beijos. Pensei que já não era mais o mesmo. Pensei que, talvez com uma certa maturidade, paixão era apenas uma ilusão criada, depois de passar a vida assistindo os casais extremamente apaixonados dançando nos clips, beijando nas novelas, sofrendo nos filmes...Isso era enfim a maturidade? A descoberta de uma vida sem paixão? Apagar este fogo e viver de forma mais morna, mais equilibrada? Talvez fosse. Depois de tantos amores, parecia que a vida tinha me transformado em alguém mais experiente. E a voz da experiência me dizia que eu estava no caminho certo e que o tempo das paixões dura apenas enquanto a juventude durar. Voz traiçoeira essa da experiência. Esqueceu dizer que, a chegada de outro beijo apaixonado - que pode demorar, mas chega - é suficiente para derrubar tudo que foi construído. Jogamos todos os conceitos e toda suposta maturidade para cima. Voltamos a acreditar nos casais apaixonados. A vida abre novamente, finalmente, as suas milhões de possibilidades. E aí percebemos que não mudamos tanto assim. Não amadurecemos tanto assim. Não ganhamos tanta experiência assim. E que no final das contas, ainda somos mais ou menos os mesmos.

Beijos e Abraços,
K.

sábado, 10 de janeiro de 2009

"Nelly, I am Heathcliff"

Esses dias estou com o emocional meio estranho, como já era de se esperar. Por isso o blog adquiriu uma maior frequência de posts, além de uma certa dose de sentimentalismo. Normal, a gente é assim mesmo. Acha tudo brega até ser com a gente. Rs. E após breve introdução, deixo pra vocês de presente uma música tchevery de Cazuza.

Dizem que eu tô louco
Por te querer assim
Por pedir tão pouco
E me dar por feliz
E perder noites de sono
Só pra te ver dormir
E me fingir de burro
Pra você sobressair
Dizem que eu tô louco
Que você manda em mim
Mas não me convencem não
Que seja tão ruim
Que prazer mais egoísta
O de cuidar de um outro ser
Mesmo se dando mais do que se tem pra receber
E é por isso que eu te chamo
Minha flor, meu bebê
Minha flor meu bebê
Dizem que eu tô louco
Que falam por meu bem
Os meus amigos todos
Será que eles não entendem?
Que quem ama nesta vida
Às vezes ama sem querer
Que a dor no fundo esconde
Uma pontinha de prazer
E é por isso que eu te chamo
Minha flor, meu bebê
Minha flor, meu bebê

Cazuza - Minha flor, meu bebê
http://www.youtube.com/watch?v=9gd21VXbYlo

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Posso escrever os versos mais tristes essa noite

Posso escrever os versos mais tristes essa noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes essa noite.
Eu amei-o e por vezes ele também me amou.
Em noites como esta tive-o em meus braços.
Beijei-o tantas vezes sob o céu infinito.

Ele amou-me, por vezes eu também o amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes essa noite.
Pensar que não o tenho. Sentir que já o perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ele.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-lo.
A noite está estrelada e ele não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-lo perdido.
Como para chegá-lo a mim o meu olhar procura-o.
O meu coração procura-o, ele já não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não o amo, é verdade, mas tanto que o amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não o amo, é verdade, mas talvez o ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como estas tive-o em meus braços.
E minha alma não se contenta com havê-lo perdido.
Embora seja a última dor que ele me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

[Pablo Neruda - Adaptado]

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A hora em que não sabiamos nada uns dos outros

Algumas vezes ao contemplar o céu, em noites claras, sem nuvens ou ambos, podemos brincar de contar as bilhões de incontáveis estrelas em nossa inocência tão distante...

Todas as estrelas brilham. Algumas mais, outras menos...Algumas maiores, outras menores. Isso provavelmente porque cada pessoa tem seu olhar próprio sobre as estrelas, e se identifica nem sempre com a maior e mais brilhante...

Em nossa inocência distante, não podemos perceber que algumas daquelas estrelas são visíveis sim, mas apagaram-se e morreram há muito tempo. Eis a dúvida do homem: todas as estrelas brilham, e ele não consegue identificar as estrelas mortas...

Por isso que, ainda inocente, ele continua olhando para aquela estrela...Aquela que não é nem maior nem mais bela, mas é sua estrela.E todos os outros corpos que habitam o céu e a terra, e que fazem parte de um universo maior que a visão do homem, também o contemplam penalizados.

Porque eles sabem que aquele homem nunca vai saber se sua estrela morreu ou continua viva...
Porque eles sabem que o homem continuará a olhá-la todos os dias...
Porque eles sabem que milhões de anos podem passar, tempo incomparávelà breve existência do homem, e essas estrelas, mortas ou vivas, continuarão a brilhar...


Escrevi esse texto em 2004 e gosto muito dele. Resolvi colocar aqui pois combina com o período que estou vivendo.

Beijos e Abraços queridos amigos!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O que será do Ano Novo?

Engraçado o que nós conseguimos. Criamos um modelo de contagem de tempo: o ano. Criamos um início e um fim pra eles: reveillon. E depois de termos nós mesmos criado tudo, conseguimos deixar que nossas criações influenciem tanto em nossas atitudes e decisões.
Digo isso porque, sempre no fim do ano, encerro alguns ciclos e inicio outros. Algumas vezes com mais clareza, outras vezes completamente perdido, mas assim vou tentando levar.
Confesso que 2009 traz pra mim a assimetria dos números ímpares. Nada está equilibrado.
Meus dias são de confusão e mistos de tristeza e alegria. As alegrias de novos ciclos, me trazem todas as tristezas de ciclos que precisam ser fechados. Ás vezes me dá impressão que qualquer decisão que eu tomar vai ser errada. Outras, o contrário. E na maioria das vezes, apenas um pouco de dúvida e culpa. As duas muitas vezes andam lado a lado.

Para não ser pessimista, recordo o andarilho de Nietzsche.

"Isso bem pode acontecer ao andarilho; mas depois virão, como recompensa, as venturosas manhãs de outras paragens e outros dias, quando já no alvorecer verá, na neblina dos montes, os bandos de musas passarem dançando ao seu lado, quando mais tarde, no equilíbrio de sua alma matutina, em quieto passeio entre as árvores, das copas e das folhagens lhe cairão somente coisas boas e claras, presentes daqueles espíritos livres que estão em casa na montanha, na floresta, na solidão, e que, como ele, tem sua maneira ora feliz ora meditativa, são andarilhos e filósofos. Nascidos dos mistérios da alvorada, eles ponderam como é possível que o dia, entre o décimo e o décimo segundo toque do sino, tenha um semblante assim puro, assim tão luminoso, tão sereno-transfigurado: - eles buscam a filosofia da manhã. ."

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008



Bom gente, essa é uma tentativa de fazer alguns crentes se tocarem. Quem não tem perto de casa, ou perto da casa da vó, ou da casa de praia, etc., uma igreja evangélica gritando o dia inteiro, dando mil aleluias, colocando banda, microfone, aparelhagem de som completa, tudo pra infernizar seu dia?
Agora você já pode fazer sua denúncia através deste site, por sinal, muito útil. Além de denúncia, você conhece melhor seus direitos e compartilhar histórias de pessoas que não aguentam mais e resolveram desabafar (inclusive você pode ser uma dessas pessoas).

Lá na ilha mesmo, tem uma ao lado da casa entoando músicas divinas all day. Meu avô também tem um aparelho de som muito bom, e colocou virado pra igreja, na maior das alturas, com a música Saúde.

"Me cansei de lero lero..."

Depois disso melhorou bastante.

Beijos e Abraços.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

El Cantante


Esse fim de semana foi repleto de filmes lights e programinhas caseiros, tive a chance de rever alguns filmes já antes vistos, e muitas comédias repetitivas...
O ponto mais interessante desses filmes foi me fazer lembrar como pode ser divertido ver aqueles filmes que não trazem nada mais do que algumas risadas e aquela sensação de divertimento quando sobem os créditos. Por isso não poderia deixar de recomendá-los para aqueles momentos em que não se quer pensar, que o único objetivo é relaxar e se divertir um pouquinho.
Revi "O Virgem de 40 anos", que traz uma visão caricatural não apenas do virgem, como também do universo masculino e da puberdade. Os personagens são exagerados no ponto certo, sem cenas que forçam episódios pseudo-engraçados e tem uma graça que consegue arrancar algumas boas risadas.

Outro filme que revi foi "Meninas Malvadas" que explora também as caricaturas da High School, mostrando o lado cruel das Pop stars colegiais. É outro filme que tira o foco "casalzinho feliz" já tanto explorado nos filmes da sessão da tarde e consegue fazer com que você enxergue a tragédia nas coisas que parecem mais banais. É um filme que vale a pena quando não se busca a profundidade da existência humana.

O terceiro filme que vi não foi um besteirol, mas entra naquele rol de filmes biográficos de músicos que se rendem às drogas e vêem suas vidas desestruturadas em todas as esferas. O nome do filme é "El Cantante", com Marc Anthony e Jennifer Lopez. O filme retrata a vida de Hectro Lavoe, um cantor de salva porto-riquenho que leva a salsa ao EUA e se torna um ícone. O filme tem uma fotografia muito bem feita e não permite que o filme caia simplesmente naquele drama que envolvem os filmes com músicos e droga. O filme mostra aspectos da cultura latina, e Jennifer Lopez consegue mostrar que não está ali apenas por ser uma "latina-movie star". A trilha sonosra é contagiante e o filme não traz uma imagem de vítima de Hector, deixando com que pensemos por nós mesmos, sem nos guiar a uma postura de piedade ou revolta pelos atos do protagonista.

Dos três filmes, "El cantante" é uma boa pedida pra se ouvir uma música num dia de Midnight margueria e também pra saber um pouquinho mais de Lavoe, que foi um dos grandes responsáveis pela expansão da salsa em todo mundo.